Maria Eduarda da Silva Tedardi
Durante uma discussão intensa, insistir na conversa pode provocar acusações, aumento do tom de voz e palavras impulsivas. Nesses momentos, uma pausa pode ser necessária para que os parceiros recuperem condições emocionais de dialogar.
Entretanto, nem todo afastamento representa uma pausa saudável.
A pausa voltada à regulação é comunicada. A pessoa explica que está emocionalmente ativada, demonstra interesse em resolver o problema e combina que a conversa será retomada. Seu objetivo não é punir o parceiro, mas evitar que o conflito se torne ainda mais destrutivo.
O tratamento de silêncio apresenta outra dinâmica. Ele pode ser utilizado para ignorar, controlar, provocar insegurança ou impedir que o outro se expresse. Não há clareza sobre o retorno, e o parceiro permanece sem saber quando ou se o diálogo acontecerá.
Uma pausa cuidadosa pode ser expressa da seguinte maneira:
“Eu percebo que não estou conseguindo te ouvir como gostaria. Quero continuar essa conversa, mas preciso me acalmar primeiro. Podemos retomá-la mais tarde?”
É importante que o casal construa acordos sobre essas pausas. A pessoa que pede o intervalo precisa respeitar o compromisso de voltar, enquanto o outro precisa compreender que a interrupção não significa necessariamente rejeição.
A regulação emocional não elimina os conflitos, mas modifica a forma como eles são conduzidos. Quando o casal aprende a reconhecer seus limites, consegue proteger a relação sem abandonar os assuntos que precisam ser enfrentados.
Maria Eduarda da Silva Tedardi
Psicóloga de Casais em Londrina - CRP 08/38953