Maria Eduarda da Silva Tedardi
A criança pequena ainda não possui os mesmos recursos de um adulto para identificar, compreender e regular emoções intensas. Quando sente medo, raiva ou frustração, pode chorar, gritar, agredir ou apresentar comportamentos que expressam sua dificuldade de organização interna.
Nesses momentos, o cuidador exerce uma função de regulação externa. Por meio da presença, do tom de voz e da previsibilidade, o adulto ajuda a criança a recuperar segurança.
Regular não significa impedir que a criança sinta emoções desagradáveis nem satisfazer imediatamente todos os seus desejos. Também não significa permitir comportamentos que machuquem outras pessoas.
Uma intervenção possível combina acolhimento e limite:
“Eu sei que você ficou frustrado porque queria continuar brincando. Você pode ficar bravo, mas não pode bater.”
Essa postura comunica que a emoção pode ser reconhecida, enquanto o comportamento continua sujeito a limites.
A regulação emocional da criança também é influenciada pelo estado do próprio cuidador. Um adulto intensamente irritado pode ter dificuldade para oferecer a estabilidade necessária. Por isso, cuidar da própria reação é parte da orientação parental.
Ao longo do desenvolvimento, as experiências repetidas de co-regulação contribuem para que a criança construa recursos internos. Gradualmente, ela aprende a nomear emoções, tolerar frustrações, pedir ajuda e escolher respostas mais adequadas.
O objetivo não é criar uma criança que nunca se desorganiza, mas oferecer relações que a ajudem a compreender o que sente e a desenvolver formas mais saudáveis de responder.
Maria Eduarda da Silva Tedardi
Psicóloga infantil em Londrina - CRP 08/38953